Guerra Comercial e impacto no Brasil, por Angela Medeiros

11/06/2018

O ano de 2018 iniciou-se com muita tensão no cenário político do Brasil que, por consequência, impacta diretamente na economia do país. Agora, além de termos que lidar com as dificuldades que o Brasil enfrenta, precisamos estar atentos ao cenário internacional e realizar uma gestão de risco. Isto é porque o que acontece ao redor do mundo afeta todos nós. Seja para diminuir um impacto negativo, como o embargo à exportação de frango para a União Europeia, ou usufruir de novas oportunidades, como a criação de novos blocos econômicos, precisamos estar preparados para as mudanças e nos adaptarmos rapidamente, para assim seguirmos em frente da forma mais adequada.

O que está causando tempestades no cenário internacional é Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos (EUA), e suas ideias e ações protecionistas. Ameaças a Coréia do Norte, bombardeios na Síria, o relacionamento desconfiante entre EUA e Rússia. Movimentos recentes que causaram ondulações, que de alguma forma ou outra, afetou a comunidade internacional. Em sua campanha eleitoral, Trump prometeu aumentar o poder produtivo do país o que gera mais empregos para os americanos. Para conseguir aumentar o poder produtivo, o EUA precisa colocar barreiras tarifárias e não tarifárias para conseguir diminuir as importações e promover o produto "Made in the U.S.A.". O acontecimento dos últimos meses, uma Guerra Comercial, entre os EUA e China. Trump assina decreto para aumentar a alíquota no imposto de importação de mais de 1300 categorias de produtos e estabelecer cotas nas importações. Além disto, Trump acusa China de criar acordos com empresas Americanas com o intuito de ter acesso a informações tecnológicas para depois copiar em território chinês.Como um contra-ataque, o governo chinês ameaça em boicotar produtos americanos na China, aumentar ainda mais a burocracia na abertura de empresas americanas em território chinês, e ir até a OMC (Organização do Comércio) para abrir uma reclamação formal. E assim, inicia-se uma Guerra Comercial.

Acontece que a China é um parceiro comercial muito importante para os Estados Unidos. Em 2016, a China foi o maior fornecedor de produtos importados.Um fato interessante é que de todas as exportações da China, somente 10% teve EUA como destino. Ou seja, quem tem mais a perder é os Estados Unidos, pois, acarretará com o aumento de preços. Isto quer dizer, invés de pagar US$80,OO em uma tablet, o preço passa para US$400,00 pelo mesmo tablet. Um simples exemplo que faz a diferença. A China está bem confiante que conseguira ganhar esta Guerra Comercial, pois, o governo chinês consegue controlar a sua economia do jeito que bem entender. Enquanto, nos EUA, a aprovação de quiser decisões precisa da aprovação de diversos setores. Enfim, EUA tem muito mais a perder que a China, e estão bem cientes disto. 

O que é que uma Guerra Comercial entre EUA e China tem a ver com o Brasil?

A resposta: Tudo!

Já sentimos o impacto de toda esta movimentação no cenário internacional. Notamos uma queda na bolsa de valores e um aumento da taxa cambial. Notamos uma redução, por tempo indeterminado, da alíquota sobre o aço e alumínio que exportamos aos Estados Unidos. Medida tomada pelo governo americano para desfavorecer o produto chinês. Precisamos ficar bem atentos aos acontecimentos no mundo, para assim nos preparamos para enfrentar dificuldades ou usufruir de oportunidades. O que será do futuro econômico mundial? Haverá uma revolução no comércio internacional? Devo me preparar para enfrentar uma guerra comercial? São estas as perguntas que devemos nos fazer. Precisamos encontrar as respostas, para assim, enfrentar melhor as mudanças que estão por vir.